terça-feira, 18 de junho de 2013

Manifestações o comum a todos e o individualismo. Visão REIKI.

               O corpo humano é composto de vários sistemas, tais como o sistema circulatório, o sistema respiratório, o sistema endócrino, o digestivo, o excretor, dentre outros, que dizem respeito ao funcionamento e desenvolvimento dos diversos órgãos do corpo e seus inter-relacionamentos. Além desses sistemas , que dizem respeito ao nosso corpo físico, existe o que denominamos Sistema Energético. Trata-se de um sistema complexo, composto de vários pontos, linhas, geometrias, conhecidas como nadis, meridianopontos giratórios, chacras, sistema axial, axiatonal, dentre outros. É de natureza elétrica e pulsa por todo o corpo. Ele é o responsável pela manutenção de nossa saúde e por nossa energia vital ( energia de vida). Da mesma forma como o sangue deve circular por todo o corpo e pulsa, a energia deve circular por todo este sistema e pulsa. A primeira ciência reconhecida a mapear e sistematizar este sistema foi a Medicina Chinesa.

         Por diversas razões , fazemos nós nestes sistemas, a que chamamos de nós energéticos, impedindo o livre fluxo da energia e o alimento aos órgãos e regiões onde estes nós estão localizados. Sabemos que as células se comunicam entre si, se abrem e se fecham para manter o equilíbrio homeostático e para saber quais os elementos que deve produzir e absorver para o bem estar do organismo e o que deve ser eliminado por ser toxinas. Estas toxinas, então, são eliminadas através de vários sistemas, tais como o sistema excretor, e sistema linfático.
           Quando o sistema energético está interrompido, naquela região, o diálogo fica prejudicado e confuso. A região perde força e fica impossibilitada de jogar as toxinas para fora, que vão sendo acumuladas no sistema e/ou órgão, gerando doenças. Consideramos doenças todo e qualquer desequilíbrio no corpo, desde uma mera irritabilidade ou dificuldade para dormir, até doenças graves como câncer, AIDS, depressão,dentre outras.
               Há várias terapias, consideradas terapias complementares pela OMS, que trabalham no equilíbrio do sistema energético, dentre elas: Acupuntura, Reflexologia, Shiatsu, Do-in, Homeopatia, Reiki, Fitoterapia, Florais, Meditação, dentre outros.

"É hora de reflexão, da politica, da alma do corpo e da dor".
Tide lima.

sábado, 15 de junho de 2013

Turismo ? ENCONTRO REGIONAL RS MAIS TURISMO NO VALE DO JAGUARI.

Prezado,


Ao saudá-la/o, encaminho convite para o primeiro ENCONTRO REGIONAL RS MAIS TURISMO ? Vale do Rio Jaguarí, que ocorrerá em Santiago, dia 20 de junho próximo. 

Registramos que o referido encontro contempla, além de Santiago, os municípios da região Vale do Rio Jaguarí: Cacequi, Capão do Cipó, Jaguarí, Mata, Nova Esperança do Sul, São Francisco de Assis, São Vicente do Sul e Unistalda.

Contamos com o seu apoio, parceria e participação, além de auxílio na mobilização dos associados a sua entidade, além de quem mais tiver interesse no assunto, pois o tema em pauta interessa a todos que desejam o desenvolvimento de sua cidade e região.

No convite constam endereço, e horário do evento, telefone e e-mail para confirmação. 

Agradecemos pela atenção e apoio.

Abgail Pereira 
Secretária de Estado do Turismo 
Rua General Câmara, 156 - 4° andar - Centro - Porto Alegre/RS


Telefone: (051) 3288.5406

Protestos contra as passagens e tragédia urbana

Aldo Fornazieri*, especial para o blog

A maior parte dos jovens que protestam nas ruas de São Paulo, e de outras cidades, contra o aumento das passagens dos transportes públicos, ao contrário do que muitos pensam, não está sendo movida por sonhos idílicos da construção de uma nova Comuna de Paris, da tomada de uma Bastilha ou do Palácio de Inverno dos Czares. Nem mesmo pensam na tomada do Palácio dos Bandeirantes.

O que os move é algo bem mais prosaico e trágico, mas com certeza, não com menos sentido. O que os move é a tragédia da vida urbana que lhes impõe uma alta dose se sacrifício e lhes rouba parte importante do tempo de suas vidas em meio a milhões de carros, do veneno da poluição e de um transporte público marcado pelo empacotamento das pessoas, pela bolinagem degradante, pelo pisoteamento e sufoco de ônibus, trens e metrôs superlotados.

Os jovens de classe média baixa são movidos pela angústia de dormir pouco, de ter que chegar na hora certa no trabalho, de sair do trabalho e chegar na hora certa na faculdade ou na escola. O trânsito e a tragédia do transporte público fazem com que a conta do tempo não feche. São esses jovens, que precisam trabalhar, estudar, se divertir e dormir, o principal alimento dos protestos. Se se fizer um confronto de contas tendo de um lado a qualidade do transporte público que é oferecido e, do outro, o valor da passagem, o tempo perdido e o quanto é desagradável andar de ônibus, metrô e trem, os protestos são mais do que justificáveis. O espantoso é que não tenham ocorrido há mais tempo.

Ninguém é a favor das depredações e violência em protestos, claro. Mas nos acontecimentos do dia 13, o que se viu foi a violência da polícia de São Paulo, enquanto os jovens gritavam “violência não”. Assim, tratá-los como baderneiros e vândalos é de uma cegueira política sem inqualificável ou um ato deliberadamente interessado de conservadorismo ideológico.

Dizer que eles não “valem 20 centavos”, além de desumanidade, representa interditar qualquer fé na esperança e no futuro. Pois diante da pasmaceira e da mediocridade que a política brasileira vive neste momento histórico, os protestos, mesmo que muitos duvidem de que representem algum sentido, são um sopro renovador e uma advertência de que muitas coisas neste país não vão bem.

O fato é que os palácios governamentais e as Câmaras Legislativas precisam ser acossados pelo rumor das praças e das ruas para que seus ocupantes despertem e percebam que o Brasil ainda é composto de uma sociedade que tem demandas urgentes. Os governantes precisam descobrir que devem dar respostas urgentes e que a degradante acomodação não pode continuar tomando conta do poder público. Os governantes estão lá para solucionar problemas, não para justificar sua perpetuação.

Ser “classe C” no Brasil não é uma benesse. É ter uma vida de dificuldades e sacrifícios. Ninguém pode estar satisfeito ou feliz pelas parcas conquistas que foram alcançadas nos últimos anos em termos de redução da pobreza ou da desigualdade. O Brasil, no fundamental, ainda é um dos países mais desiguais do mundo e, por consequência, um dos países mais injustos do mundo. Ainda é um país onde os direitos e os serviços são negados a parcela importante da população.

O protesto contra o aumento das passagens, ademais, pode ser inscrito como um elemento dos novos movimentos sociais que surgem no século XXI. Dentre outros, trata-se de um movimento ligado às questões urbanas. A natureza essencial deste movimento não pode ser vista nos 20 centavos de aumento, mas na tragédia da vida urbana, no caos da mobilidade e no sacrifício que as grandes metrópoles impõem ao viver humano. Não é por acaso que os grandes protestos da Turquia surgiram a partir do projeto de demolição do Parque Taksim Gezi, envolvendo um problema ambiental urbano. Movimentos ambientais, por moradia, por serviços eficientes, por espaços urbanos de convívio e de lazer, por transparência, serão típicos do presente e do futuro próximo e terão cada vez mais impactos sobre a política e o Estado.

Esses novos movimentos representam também um profundo questionamento às organizações partidárias tradicionais, principalmente as de esquerda, e a estruturas formais de representação como entidades estudantis e sindicatos. O fato é que enquanto muitos militantes estão aboletados nos palácios e em cargos burocráticos, as torrentes das mudanças históricas estão passando como furacões nas ruas e nas praças. Se estamos ainda longe disso no Brasil, que os protestos das passagens, ao menos, representem um distúrbio perturbador da ordem dos negócios partidários.

Nas sociedades complexas de nosso tempo, milhões de pessoas não se sentem representadas nos parlamentos, nos governos, nos sindicatos e em outras entidades. As representações tradicionais se insularam nas suas conquistas e nos seus privilégios, enquanto as novas lutas urbanas fervilham em movimentos mais espontâneos, na internet, nas religiões e em agregações em torno de necessidades pontuais.

Nós, das gerações mais antigas, não podemos olhar esses movimentos e esses jovens com os olhos carcomidos do conservadorismo. Temos que saber interpretá-los à luz dos novos espíritos do tempo. Se na sua espontaneidade eles não fornecem saídas redentoras, o fato é que nós também fracassamos e eles são filhos dos nossos fracassos. O mundo que a eles legamos não lhes é satisfatório e, em várias questões, devemos nos envergonhar. Se há movimentos nas ruas e nas praças, temos que vê-los como sinais de esperança, mesmo que pelos nossos critérios mais antigos, sejam movimentos inconsequentes. Mas quem garante hoje que os critérios de juízo do passado ainda são pertinentes? Que estes protestos não sejam, de fato, por 20 centavos! 

*Aldo Fornazieri é Diretor Acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Governo suspende multa para equídeos.


Fonte: Assessoria de Imprensa da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio
Cavalo é considerado simbolo oficial do Estado
Cavalo é considerado simbolo oficial do Estado - Foto: Ricardo Mercadante

Lei segue em vigor

Em decreto assinado hoje (10) pelo governador Tarso Genro fica suspensa até o final do ano a multa para equídeos transportados sem Guia de Trânsito Animal (GTA). Será publicado amanhã (11) no Diário Oficial do Estado.

A medida não se aplica a casos de transferência interestadual, transações comerciais e leilões. Para o secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Luiz Fernando Mainardi, a suspensão surge da necessidade de ampliar o diálogo, a fim de equacionar e solucionar questões como a aumento do inquérito epidemiológico previsto para os próximos meses.

A decisão, conforme o secretário, também partiu do reconhecimento de que o cavalo é um símbolo oficial do RS e do grande número de eventos campeiros que incentivam e promovem a cultura gaúcha.

A baixa incidência de resultados positivos entre os exames realizados nos últimos 40 dias – menos 0,01% - também foi um dos motivos que levaram o governo a tomar essa decisão. O que se pretende agora é discutir a revisão da lei federal que trata do tema.

Em julho, alerta Mainardi, inquérito será iniciado para avaliar a presença da doença no Estado. Até o final do ano, os resultados serão conhecidos; com os dados, será possível avaliar se os testes para anemia poderão ser adiados para seis meses.

Estuda-se, diz o secretário, a adoção de passaporte equino, em que constariam dados sobre vacinação e resultados de exames

quinta-feira, 13 de junho de 2013

ADVOGADA EVANGÉLICA - Realidade


Inusitado pedido de uma advogada do Rio de Janeiro
Se não acreditar, consulte o site da OAB/RJ - vá em Mapa do site,
· Busca de Inscritos e digite o nº de inscrição registrado na petição (abaixo):

Exmº. Sr. Dr. juiz da 16ª. Vara do Trabalho do Rio de Janeiro.
Jocilene Couto Nascimento, advogada do reclamante Valeiro Gomes Pliger da Silva, vem, ante a presença de V. Exª, informar que, de uma forma ou de outra, resolveu renunciar aos poderes doados pelo autor na folha da procuração.

Que a presente renúncia tem motivos justificadores suficientes, trazendo desânimo até a alma; senão, vejamos agora:

1 - A ilustre advogada renunciante é considerada pela maioria a maior advogada de Duque de Caxias (RJ), a mais brilhante, pois sou competente,conheço muito o direito, o errado e o certo.
Minha insatisfação é originária da mudança no nome de 'Justiça do Trabalho'. Antes, chamava-se Junta de Conciliação e Julgamento e agora passou a chamar-se "Vara". Esta nova denominação me trouxe e me traz diariamente imensos e grandes constrangimentos.
2 - Antes, para vir fazer audiências ou acompanhar processos eu entrava na Junta, e agora sou obrigada a dizer "estou entrando na Vara", "fui à Vara", "fiquei esperando sentada na Vara". Não concordo.
Sou mulher, evangélica e não gosto de gracejos. Deixo a "Vara" para quem gosta de vara, funcionários, varejistas, homossexuais, fiquem na vara, permaneçam na vara, trabalhem com vara. Saio desgostosa por não concordar com o termo pornográfico, vara pra lá, vara pra cá...

Em tempo:
Outro dia, estava entrando no prédio da Justiça do Trabalho e o meu celular tocou. Era meu marido. Ele perguntou: onde você está? E olha só o constrangimento da minha resposta:
"Entrando na décima Vara".


Assim, comunico minha renúncia. Já comuniquei verbalmente a meu ex-cliente, tudo na forma da lei.


Assim posto, peço e aguardo deferimento. São João de Meriti - Rio de  Janeiro, 05-05-2002. Jocilene Couto Nascimento - Advogada / OAB - RJ 83.191.

BASTA DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

A última semana foi marcada por graves ataques aos direitos e à vida das mulheres do Rio Grande do Sul e do Brasil. No RS oito mulheres foram assassinadas, vítimas de crimes passionais, motivados por uma cultura machista que ainda hoje permite que a mulher seja tratada como propriedade do marido ou companheiro.



No cenário nacional, o retrocesso ficou por conta da aprovação na Comissão de Tributação da Câmara Federal, do Projeto de Lei que cria o Estatuto do Nascituro. Este, entre outras afrontas, propõe a criação da "bolsa estupro" e concede ao estuprador os direitos paternos sobre a criança gerada através deste crime hediondo.



Diante disso, a Comissão Executiva Estadual do PT/RS manifesta seu total apoio aos atos que estão sendo organizados pelos movimentos feministas e de mulheres em protesto contra essa situação. Entendemos que o Poder Judiciário precisa fazer a sua parte, ampliando os recursos destinados à fiscalização do cumprimento das medidas protetivas, bem como dando celeridade na tramitação e julgamento dos processos oriundos da Lei Maria da Penha.



Orientamos todos(as) prefeitos(as), vices, vereadores(as), direções municipais e setoriais do PT/RS a participarem ativamente da organização de atos e manifestações no próximo dia 12 de junho, no horário do meio-dia, e que estas atividades ocorram - preferencialmente - em frente a sede do Poder Judiciário em cada município.



Nossos(as) parlamentares devem ainda ocupar as tribunas nos legislativos nesta data, chamando a atenção da sociedade para a necessidade urgente de darmos um basta a todas as formas de violência contra as mulheres. Nos executivos municipais, os governos petistas devem aprofundar as políticas de enfrentamento à violência sexista e de geração de renda, garantindo às mulheres a autonomia necessária para dirigir suas vidas.


PT RS.

Dez anos após sua implantação, o Bolsa Família mudou a vida nos rincões mais pobres do país:

Dez anos após sua implantação, o Bolsa Família mudou a vida nos rincões mais pobres do país: o tradicional coronelismo perde força e a arraigada cultura da resignação está sendo abalada.
A conclusão é da socióloga Walquiria Leão Rego, 67, que escreveu, com o filósofo italiano Alessandro Pinzani, "Vozes do Bolsa Família" (Editora Unesp, 248 págs., R$ 36). O livro será lançado hoje, às 19h, na Livraria da Vila do shopping Pátio Higienópolis. No local, haverá um debate mediado por Jézio Gutierre com a participação do cientista político André Singer e da socióloga Amélia Cohn.

Senado convida presidente da Caixa para explicar boato do Bolsa Família
Durante cinco anos, entre 2006 e 2011, a dupla realizou entrevistas com os beneficiários do Bolsa Família e percorreu lugares como o Vale do Jequitinhonha (MG), o sertão alagoano, o interior do Maranhão, Piauí e Recife. Queriam investigar o "poder liberatório do dinheiro" provocado pelo programa.
Aproveitando férias e folgas, eles pagaram do próprio bolso os custos das viagens. Sem se preocupar com estatística, a pesquisa foi qualitativa e baseada em entrevistas abertas.
Professora de teoria da cidadania na Unicamp, Rego defende que o Bolsa Família "é o início de uma democratização real" do país. Nesta entrevista, ela fala dos boatos que sacudiram o programa recentemente e dos preconceitos que cercam a iniciativa: "Nossa elite é muito cruel", afirma.



Karime Xavier-31.mai.13/Folhapress
Walquiria Leão Rego, uma das autoras do livro sobre o Bolsa Família, que será lançado hoje, às 19h, na Livraria da Vila, em SP
Folha - Como explicar o pânico recente no Bolsa Família? Qual o impacto do programa nas regiões onde a sra. pesquisou?

Walquiria Leão Rego - Enorme. Basta ver que um boato fez correr um milhão de pessoas. Isso se espalha pelos radialistas de interior. Elas [as pessoas] são muito frágeis. Certamente entraram em absoluto desespero. Poderia ter gerado coisas até mais violentas. Foi de uma crueldade desmesurada. Foi espalhado o pânico entre pessoas que não têm defesa. Uma coisa foi a medida administrativa da CEF (Caixa Econômica Federal). Outra coisa é o que a policia tem que descobrir: onde começou o boato. Fiquei estupefata. Quem fez isso não tem nem compaixão. Nossa elite é muito cruel. Não estou dizendo que foi a elite, porque seria uma leviandade.

Como assim?
Tem uma crueldade no modo como as pessoas falam dos pobres. Daí aparecem os adolescentes que esfaqueiam mendigos e queimam índios. Há uma crueldade social, uma sociedade com desigualdades tão profundas e tão antigas. Não se olha o outro como um concidadão, mas como se fosse uma espécie de sub-humanidade. Certamente essa crueldade vem da escravidão. Nenhum país tem mais de três séculos de escravidão impunemente.

Qual o impacto do Bolsa Família nas relações familiares?
Ocorreram transformações nelas mesmas. De repente se ganha uma certa dignidade na vida, algo que nunca se teve, que é a regularidade de uma renda. Se ganha uma segurança maior e respeitabilidade. Houve também um impacto econômico e comercial muito grande. Elas são boas pagadoras e aprenderam a gerir o dinheiro após dez anos de experiência. Não acho que resolveu o problema. Mas é o início de uma democratização real, da democratização da democracia brasileira. É inaceitável uma pessoa se considerar um democrata e achar que não tenha nada a ver com um concidadão que esteja ali caído na rua. Essa é uma questão pública da maior importância.

O Bolsa Família deveria entrar na Constituição?
A constitucionalização do Bolsa Família precisava ser feita urgentemente. E a renda tem que ser maior. Esse é um programa barato, 0,5% do PIB. Acho, também, que as pessoas têm direito à renda básica. Tem que ser uma política de Estado, que nenhum governo possa dizer que não tem mais recurso. Mas qualquer política distributiva mexe com interesses poderosos.

A sra. poderia explicar melhor?
Isso é histórico. A elite brasileira acha que o Estado é para ela, que não pode ter esse negócio de dar dinheiro para pobre. Além de o Bolsa Família entrar na Constituição, é preciso ter outras políticas complementares, políticas culturais específicas. É preciso ter uma escola pensada para aquela população. É preciso ter outra televisão, pois essa é a pior possível, não ajuda a desfazer preconceitos. É preciso organizar um conjunto de políticas articuladas para formar cidadãos.

A sra. quer dizer que a ascensão é só de consumidores?
As pessoas quando saem desse nível de pobreza não se transformam só em consumidores. A gente se engana. Uma pesquisadora sobre o programa Luz para Todos, no Vale do Jequitinhonha, perguntou para um senhor o que mais o tinha impactado com a chegada da luz. A pesquisadora, com seu preconceito de classe média, já estava pronta para escrever: fui comprar uma televisão. Mas o senhor disse: 'A coisa que mais me impactou foi ver pela primeira vez o rosto dos meus filhos dormindo; eu nunca tinha visto'. Essa delicadeza... a gente se surpreende muito.

O que a surpreendeu na sua pesquisa?
Quando vi a alegria que sentiam de poder partilhar uma comida que era deles, que não tinha sido pedida. Não tinham passado pela humilhação de pedi-la; foram lá e compraram. Crianças que comeram macarrão com salsicha pela primeira vez. É muito preconceituoso dizer que só querem consumir. A distância entre nós é tão grande que a gente não pode imaginar. A carência lá é tão absurda. Aprendi que pode ser uma grande experiência tomar água gelada.

Li que a sra. teria apurado que o Bolsa Família, ao tornar as mulheres mais independentes, estava provocando separações, uma revolução feminina. Mas não encontrei isso no livro. O que é fato?
É só conhecer um pouco o país para saber que não poderia haver entre essas mulheres uma revolução feminista. É difícil para elas mudar as relações conjugais. Elas são mais autônomas com a Bolsa? São. Elas nunca tiveram dinheiro e passaram a ter, são titulares do cartão, têm a senha. Elas têm uma moralidade muito forte: compram primeiro a comida para as crianças. Depois, se sobrar, compram colchão, televisão. É ainda muito difícil falar da vida pessoal. Uma ou outra me disse que tinha vontade de se separar. Há o problema de alcoolismo. Esses processos no Brasil são muito longos. Em São Paulo é comum a separação; no sertão é incomum. A família em muitos lugares é ampliada, com sogra, mãe, cunhado vivendo muito próximos. Essa realidade não se desfaz.

Mas há indícios de mudança?
Indícios, sim. Certamente elas estão falando mais nesse assunto. Em 2006, não queriam falar de sentimentos privados. Em 2011, num povoado no sertão de Alagoas, me disseram que tinha havido cinco casos de separação. Perguntei as razões. Uma me disse: 'Aquela se apaixonou pelo marido da vizinha'. Perguntei para outra. Ela disse: 'Pensando bem, acho que a bolsa nos dá mais coragem'. Disso daí deduzir que há um movimento feminista, meu deus do céu, é quase cruel. Não sei se dá para fazer essa relação tão automática do Bolsa com a transformação delas em mulheres mais independentes. Certamente são mais independentes, como qualquer pessoa que não tinha nada e passa a ter uma renda. Um homem também. Mas há censuras internas, tem a religião. As coisas são muito mais espessas do que a gente imagina.

O machismo é muito forte?
Sim. E também dentro delas. Se o machismo é muito percebido em São Paulo, imagina quando no chamado Brasil profundo. Lá, os padrões familiares são muito rígidos. É comum se ouvir que a mulher saiu da escola porque o pai disse que ela não precisava aprender. Elas se casam muito cedo. Agora, como prevê a sociologia do dinheiro, elas estão muito contentes pela regularidade, pela estabilidade, pelo fato de poderem planejar minimamente a vida. Mas eu não avançaria numa hipótese de revolução sexual.

O Bolsa Família mexeu com o coronelismo?
Sim, enfraqueceu o coronelismo. O dinheiro vem no nome dela, com uma senha dela e é ela que vai ao banco; não tem que pedir para ninguém. É muito diferente se o governo entregasse o dinheiro ao prefeito. Num programa que envolve 54 milhões de pessoas, alguma coisa de vez em quando [acontece]. Mas a fraude é quase zero. O cadastro único é muito bem feito. Foi uma ação de Estado que enfraqueceu o coronelismo. Elas aprenderam a usar o 0800 e vão para o telefone público ligar para reclamar. Essa ideia de que é uma massa passiva de imbecis que não reagem é preconceito puro.

E a questão eleitoral?
O coronel perdeu peso porque ela adquiriu uma liberdade que não tinha. Não precisa ir ao prefeito. Pode pedir uma rua melhor, mas não comida, que era por ai que o coronelismo funcionava. Há resíduos culturais. Ela pode votar no prefeito da família tal, mas para presidente da República, não.

Esses votos são do Lula?
São. Até 2011, quando terminei a pesquisa, eram. Quando me perguntam por que Lula tem essa força, respondo: nunca paramos para estudar o peso da fala testemunhal. Todos sabem que ele passou fome, que é um homem do povo e que sabe o que é pobreza. A figura dele é muito forte. O lado ruim é que seja muito personalizado. Mas, também, existe uma identidade partidária, uma capilaridade do PT.

Há um argumento que diz que o Bolsa Família é como uma droga que torna o lulismo imbatível nas urnas. O que a sra. acha?
Isso é preconceito. A elite brasileira ignora o seu país e vai ficando dura, insensível. Sente aquele povo como sendo uma sub-humanidade. Imaginam que essas pessoas são idiotas. Por R$ 5 por mês eles compram uma parabólica usada. Cheguei uma vez numa casa e eles estavam vendo TV Senado. Perguntei o motivo. A resposta: 'A gente gosta porque tem alguma coisa para aprender'.

No livro a sra. cita muitos casos de mulheres que fizeram laqueadura. Como é isso?
O SUS (Sistema Único de Saúde) está fazendo a pedido delas. É o sonho maior. Aliás, outro preconceito é dizer que elas vão se encher de filhos para aumentar o Bolsa Família. É supor que sejam imbecis. O grande sonho é tomar a pílula ou fazer laqueadura.

A sra. afirma que é preconceito dizer que as pessoas vão para o Bolsa Família para não trabalhar. Por quê?
Nessas regiões não há emprego. Eles são chamados ocasionalmente para, por exemplo, colher feijão. É um trabalho sem nenhum direito e ganham menos que no Bolsa Família. Não há fábricas; só se vê terra cercada, com muitos eucaliptos. Os homens do Vale do Jequitinhonha vêm trabalhar aqui por salários aviltantes. Um fazendeiro disse para o meu marido que não conseguia mais homens para trabalhar por causa do Bolsa Família. Mas ele pagava R$ 20 por semana! O cara quer escravo. Paga uma miséria por um trabalho duro de 12, 16 horas, não assina carteira, é autoritário, e acha que as pessoas têm que se submeter a isso. E dizem que receber dinheiro do Estado é uma vergonha.

Há vontade de deixar o Bolsa Família?
Elas gostariam de ter emprego, salário, carteira assinada, férias, direitos. Há também uma pressão social. Ouvem dizer que estão acomodadas. Uma pesquisa feita em Itaboraí, no Rio de Janeiro, diz que lá elas têm vergonha de ter o cartão. São vistas como pobres coitadas que dependem do governo para viver, que são incapazes, vagabundas. Como em "Ralé", de Máximo Gorki, os pobres repetem a ideologia da elite. A miséria é muito dura.

A sra. escreve que o Bolsa Família é o inicio da superação da cultura de resignação? Será?
A cultura da resignação foi muito estudada e é tema da literatura: Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego. Ela tem componente religioso: 'Deus quis assim'. E mescla elementos culturais: a espera da chuva, as promessas. Essa cultura da resignação foi rompida pelo Bolsa Família: a vida pode ser diferente, não é uma repetição. É a hipótese que eu levanto. Aparece uma coisa nova: é possível e é bom ter uma renda regular. É possível ter outra vida, não preciso ver meus filhos morrerem de fome, como minha mãe e minha vó viam. Esse sentimento de que o Brasil está vivendo uma coisa nova é muito real. Hoje se encontram negras médicas, dentistas, por causa do ProUni (Universidade para Todos). Depois de dez anos, o Bolsa Família tem mostrado que é possível melhorar de vida, aprender coisas novas. Não tem mais o 'Fabiano' [personagem de "Vidas Secas"], a vida não é tão seca mais.

ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO