terça-feira, 29 de março de 2011

Seminário internacional em Porto Alegre discute ditaduras militares do Cone Sul


Felipe Prestes
A ministra Maria do Rosário;
a presidente da Asociación
Abuelas de la Plaza de Mayo,
 Estela de Carlotto; e o
deputado uruguaio, Luis Puig,
 que luta pelo fim da anistia
 aos militares em seu país,
 estão entre os participantes
do seminário Memória,
Verdade e Justiça: Marcas das
 Ditaduras do Cone Sul, que ocorre nos dias
30 e 31 de março e 1º de abril em Porto Alegre. O encontro, que também
marca os 47 anos do golpe cívico-militar no Brasil, movimentará três diferentes
 locais no centro da Capital e contará com debates e manifestações artísticas.
Todas as atividades serão gratuitas e abertas a todos.
Nesta quarta-feira (30), o encontro será no Memorial do RS
(Rua Sete de Setembro, 1020), às 18h30. A abertura terá o
 pocket show “Cale-se: as músicas censuradas pela ditadura militar”,
promovido pelo Teatro de Arena. Em seguida, ocorre debate sobre o
 sequestro de crianças nas ditaduras, com a participação de Camilo
 Celiberti, filho da Lilian. Os três, mais a filha de Lilian, Francesca, foram
 sequestrados em Porto Alegre, em 1978, pelas ditaduras uruguaia
 e brasileira, no caso que foi revelado pelo repórter Luiz Cláudio Cunha
 e virou o livro “Operação Condor: O Sequestro dos Uruguaios”.
 Também participa da mesa Edson Teles, que foi o mais jovem
preso político brasileiro. Ele foi detido, em 1972, quando tinha
quatro anos, junto com uma tia, e a irmã de cinco anos.
 A mediação fica a cargo de Ananda Fernandes, historiadora do
Arquivo Histórico do RS.
Na quinta-feira (31), o evento tem sequência no plenarinho da
Assembleia Legislativa. Às 18h30min, o músico e compositor
Raul Ellwanger faz apresentação. Às 19h tem início a mesa de
 debate “Memórias da Resistência no Rio Grande do Sul”. P
articipam da discussão Sereno Chaise, ex-prefeito de Porto
Alegre, cassado em 1964; o deputado Raul Pont, que era líder
estudantil nos anos 1960, e Antenor Ferrari, advogado que foi
deputado estadual pelo MDB e presidiu a Comissão de Cidadania
 e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul,
 em 1980, a primeira criada no Brasil. A mediação ficará por
conta do professor de História da Ufrgs, Cesar Guazelli, e do
deputado estadual Jeferson Fernandes.
O encerramento do seminário ocorre na sexta-feira (1º) no Salão
 de Atos da Ufrgs. Às 18h, o evento tem início com intervenção
 teatral da Tribo de Atuadores Oi Nois Aqui Traveiz. Às 19h
começa o debate “Memória, Verdade e Justiça: Os Direitos
Humanos e os Deveres do Estado”, com participações da
ministra Maria do Rosário; da presidente da Asociación Abuelas
 de la Plaza de Mayo, Estela de Carlotto; do deputado
uruguaio Luis Puig e de Suzana Lisboa, integrante da Comissão
 de Familiares dos Mortos e Desaparecidos. Seu marido Luiz Eurico
 Tejera Lisboa – irmão mais velho do compositor Nei Lisboa –
foi o primeiro desaparecido político brasileiro a ter sua morte pelo
aparelho repressivo reconhecida pelo estado. O mediador será o
professor de História da Ufrgs, Enrique Padrós.
Firmado o “Compromisso Buenos Aires”
Na semana passada, em Buenos Aires, durante o primeiro Encontro
 Latinoamericano pela Memória, Verdade e Justiça foi firmado o “
Compromisso Buenos Aires”, assinado por jornalistas, intelectuais
 e ativistas ligados aos Direitos Humanos. Os participantes firmaram
 o compromisso de buscar a abertura de arquivos oficiais que
 revelem a verdade sobre o terrorismo de estado e a aplicação
da jurisdição internacional que considera que a violação aos Direitos
Humanos é imprescritível.
Ficou marcado para 27 de junho o segundo encontro, em Montevidéu
, lembrando o aniversário da ditadura militar no Uruguai, e o terceiro
encontro no dia 11 de setembro, em Santiago, na data da morte
de Salvador Allende. Participaram do encontro e assinaram o
documento gente como o escritor Eduardo Galeano, o músico
 uruguaio Daniel Viglietti, o deputado uruguaio Luis Puig, a
presidente da Agrupación de Familiares Detenidos Desaparecidos
de Chile, Lorena Pizarro Sierra; o brasileiro Jair Krischke, do Movimento
 de Justiça e Direitos Humanos, além de vários ativistas e
parlamentares argentinos.

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